Luisa Amélia de Queiroz
Dia: 05/Ago/2006 às 15h54min
Categoria: Cultura
Em Parnaíba, viveu expressiva personalidade do mundo poético. Falamos da festejada poetisa piracuruquense, Luísa Amélia de Queiroz, cognominada de ?Princesa da Poesia Romântica do Piauí?, precursora do Romantismo em nosso Estado.
Luísa Amélia de Queiroz
Nasceu a 26 de dezembro de 1838
Faleceu a 12 de novembro de 1898
Em Parnaíba, viveu expressiva personalidade do mundo poético. Falamos da festejada poetisa piracuruquense, Luísa Amélia de Queiroz, cognominada de ?Princesa da Poesia Romântica do Piauí?, precursora do Romantismo em nosso Estado.
Criativa e arrebatadora é sua poesia. São de sua lavra as obras ?Flores Incultas? publicada em 1875 e ?Georgina ou os Efeitos do Amor?, poema em cinco cantos com uma introdução do Dr. Francisco Dias Carneiro.
Segundo aqueles que tiveram a sorte de ler e analisar a produção literária da poetisa, dentre eles, João Pinheiro, estudioso de nossa literatura, dizem que "evidencia o seu estro brilhante nas mais arrebatadoras endeixas de um lirismo exuberante e fluente?.
Infelizmente, porém, a contemporaneidade desconhece a obra de Luísa Amélia, e já ouvimos falar na possível exclusão de seu nome dos compêndios de Literatura Piauiense. Alegam os defensores desse impensado devaneio que, não havendo obra que se submeta a estudos literários, não se pode conceber que figure como sujeito da atividade literária o suposto autor de obra incerta.
Não pensamos assim, bem porque já demonstramos terem alguns estudiosos e amantes da literatura se debruçado sobre a lavra poética de Luísa Amélia. Entretanto, aqui fica a nossa preocupação com o que já temos ouvido falar.
De nossa parte, conhecemos alguns poemas da autora, dentre eles, um pequeno excerto de ?Georgina?, além de dois ou três sonetos. Restaria, até para saciar a curiosidade animadora dos amantes da poesia, desvendarmos o mistério que envolve de densa penumbra o destino das duas obras de Luísa Amélia.
Sempre esbarrando nas limitadas e repetitivas notas biográficas da poetisa, pouco ou nada de curioso temos encontrado. Uns aludem a um poema onde a autora externa o desejo de, sobre sua sepultura, crescer uma gameleira, cuja ramagem viesse servir-lhe de refrigério. Muitos, inclusive nós, temos peregrinado à procura dessa pitoresca evocação poética, porém, nada temos encontrado. Aquele que possuir tal peça literária, favor torná-la pública.
Já percorremos algumas residências da cidade, inclusive de parentes da festejada escritora, e nada obtivemos que acrescesse nossa fragmentária pesquisa. Incrivelmente, nunca havíamos sido apresentados a tanto esquecimento, incúria e lassidão.
Concorrendo a esse fato, parece-nos que, também, as instituições culturais existentes na cidade pouco guardam de memórias relativas à Luísa Amélia. Possuiria a Academia Parnaibana de Letras um exemplar, cópia que fosse, de pelo menos uma das obras de nossa poetisa?
Não temos ciência de qualquer discussão ou inquietude daqueles que congregam o ínclito sodalício, no sentido de contribuir com pesquisas e descobertas acerca do vulto da ?Princesa da Poesia Romântica do Piauí?.
Isso, com exceção do nosso dileto confrade do IHGGP, Dr. Anchieta Mendes que, falando em nome da APAL, quando Presidente daquela instituição, trouxe a público,no ano de 2003, informações novas acerca da poetisa.
No Jornal Meio Norte ? Coluna da APAL, do dia 23 de fevereiro de 2003, colhemos novas e interessantes descobertas. Disse o escritor que a árvore, objeto da evocação poética de Luísa Amélia, trata-se de uma ?INGAZEIRA?, e que tal espécie, não estando catalogada cientificamente, despertou a curiosidade do Biólogo e Botânico, Maurício Teles, que ? batizou a espécie com o nome da poetisa?.Eis aí algo novo.
Sobre curiosidades domésticas, fatos da vida de Luísa Amélia, detalhes que sempre incrementam a biografia dos grandes escritores, escassos são os pormenores. Restou-nos pesquisar nos cartórios da cidade, e principiamos por visitar a Serventia Notarial Rubem Furtado, competente para registros de nascimento, casamento e óbito.
Pesquisando em vários livros, a professora e amiga Dra. Maria Auxiliadora Furtado Baluz, Escrivã daquela serventia, localizou o registro de óbito da poetisa. Consta do livro n° 05, folha 98 a lavratura do óbito, realizada pelo Oficial de Registro Civil da época, o Sr. José Serra de Miranda, cujo nome nos indica também haver sido o conhecido professor de Humberto de Campos, quando em Parnaíba viveu, no final do século XIX.
Lemos no aludido registro, de exíguos detalhes por sinal, que o óbito foi atestado pelo Dr. Marques Basto, o qual declarou haver falecido a poetisa às duas horas do dia 12 de novembro (sem indicação do ano ? 1898), com a idade de cinqüenta e nove anos, acometida de ?um cancro no útero?.
Difícil, no ato da pesquisa, foi decifrarmos sua ?causa mortis?. A expressão acima transcrita, pouco usual em nossos dias, não está redigida tão claramente no registro. Até compararmos as letras do vocábulo com outras da bela e antiga grafia notarial, a causa da morte era uma incógnita. Após essa comparação, restou decifrado: Luísa Amélia havia falecido de um cancro (câncer) no útero.
Paradoxais e incompreensíveis são os desígnios da vida! Ela, que tantas e sublimes poesias deu à luz, cumprindo o majestoso dom da intelectualidade conferida à espécie humana, não logrou êxito no ato biológico de conceber rebentos de carne, apanágio máximo do sexo de Maria. Paradoxalmente, pôde, durante sua vida, conceber a arte, gerada pela fecundação mais pura e delicada do amor. Mas seu útero, órgão de maior expressão feminina, nunca gerou filhos, o que revela haver carecido de normalidade, vindo a consumar-se com o pior dos males patológicos.
CONTAGEM REGRESSIVA, PARNAÍBA 300 ANOS