Vende-se o Delta do Parnaíba
Dia: 02/Mar/2006 às 09h25min
Categoria: Turismo
Fonte: MARCOS FONTELES
Ora, não banquem a tia velha! Tal notícia deve ser recebida com grande entusiasmo, afinal é dinheiro estrangeiro desembarcando diretamente em nossa cidade, e isso é só começo. Quem comprou esta porção do Delta, não o fez para servir de playground para a família (se bem que não seria uma má idéia). A intenção é investir em algo que acrescentará com muitos zeros a quantia paga na transação. Muito provavelmente virão hotéis, resorts e condomínios de luxo, tudo focado no abastado público europeu. Isso deverá gerar muitos e muitos empregos diretos e indiretos e aquecer de vez a combalida economia parnaibana. Melhor impossível!
Arrisco dizer, sem medo de queimar a língua (nem o filme!) que o Delta do Parnaíba é um dos lugares mais belos do planeta. Sua mistura exótica (no sentido pleno dessa palavra, desconsiderando o desgaste que vem sofrendo ? hoje em dia tudo que é esquisito e feio é exótico, pra disfarçar!), conjuga harmoniosamente dunas gigantescas, praias desertas e paradisíacas e o charme selvagem inegável das florestas. Dá até pra fazer amizades de perto com os macaquinhos e de longe com os jacarés, chamado de caimans pelos gringos. E eu que pensei que Caiman era coisa de político corrupto!
Toda essa riqueza natural, desconhecida dos piauienses e desdenhada pelos parnaibanos, já chegou nos ouvidos, olhos e lap-tops (importante órgão da anatomia dos executivos) dos endinheirados europeus. Eles estão aportando cada vez em maior número, em busca de diversão distração e...negócios milionários!! Isso mesmo, descobriram o tesouro de Nicolau de Resende: o guará dos ovos de ouro que é o nosso Delta. Com seus bem cotados Euros (apesar da queda da moeda no Brasil nos anos de 2004 pra 2005), eles já descobriram que podem pagar por uma refeição no Brasil um valor que não compraria um dim-dim na Europa. Descobriram também que o que pagam por grandes e paradisíacas ilhas tropicais, não compraria um quitinete na aérea nobre das principais cidades do velho mundo.
Enquanto os parnaibanos continuam desacreditando na reviravolta econômica da cidade, puxada sobretudo pelo turismo, os estrangeiros já estão comprando nosso Delta. Há algumas semanas foi anunciada a venda de milhares e milhares de hectares na Ilha Grande de Santa Izabel, a maior ilha do Delta. Pertencente secularmente a uma tradicional família, a área vendida abrange as praias oceânicas à oeste da Pedra do Sal (inclui-se ai o Pontal, ponto culminante da ilha, onde está situada a principal foz do Parnaíba), bem como toda a cadeia de dunas e lagoas sazonais dessa área (inclusive pontos turísticos como o Morro do Gemedor, do Urubu a as dunas do Morro Branco).
Ora, não banquem a tia velha! Tal notícia deve ser recebida com grande entusiasmo, afinal é dinheiro estrangeiro desembarcando diretamente em nossa cidade, e isso é só começo. Quem comprou esta porção do Delta, não o fez para servir de playground para a família (se bem que não seria uma má idéia). A intenção é investir em algo que acrescentará com muitos zeros a quantia paga na transação. Muito provavelmente virão hotéis, resorts e condomínios de luxo, tudo focado no abastado público europeu. Isso deverá gerar muitos e muitos empregos diretos e indiretos e aquecer de vez a combalida economia parnaibana. Melhor impossível!
Contudo nós, piauienses e, sobretudo, parnaibanos, temos que ter alguns cuidados para que esse sonho não possua um preço alto de mais pra se pagar. Primeiramente devemos resguardar as nossas praias e pontos turísticos dessa região, não permitindo que de agora em diante eles sejam privilégios dos europeus que possam pagar pelo naco caro de terra, ou ainda pelas tarifas exorbitantes dos hotéis que ali se instalarem. Já pensou ter que pagar pedágio, ou mesmo ser proibido, de nadar nas águas cálidas e transparentes na Lagoa do Urubu? O segundo senão, é o tocante aos empregos que serão ocupados pelos parnaibanos. Caso a cidade não perceba a demanda latente e não se qualifique de forma a suprir as necessidades do exigente público estrangeiro, só nos restarão os piores cargos, com soldos indignos do luxo vampiresco que assim se estabelecerá, há exemplo do que já aconteceu com Jericoacoara e outros eco-destinos de baixo nível sócio-cultural. E veja que esses dois pontos dependem mais de nossa atuação como cidadãos do que de qualquer governo ou dos próprios novos proprietários dessa terra maravilhosa. A hora de escolhermos o nosso destino é agora! Do contrário, vou entrar na onda e da próxima vez que encontrar um gringo bem vestido direi: do you wanna buy the Centro Cívico?!!
A IGREJA DE NOSSA SENHORA DA GRAÇA